Lapidar a Pedra Bruta
Miniconto
Eric Oliveira Costa e Silva.
No lado esquerdo da coluna de Boaz está o mestre Callum e do lado esquerdo a coluna de Jaquim perfila o aprendiz Robin, os dois decorrem as primeiras impressões um do outro e o neófito Lucas fita os ornamentos em romãs, lírios e correntes a predizer de como a abóbada maçônica compreende as ordens naturais de pedra bruta milenar, a ser forjada por toda a vida.
Eis então Callum, de forma mansa, apreende os ensinamentos de Ruben, “nesses dias da nova iluminação, os astros concebem frondosos as concepções dos mais atentos pedreiros livres, os nossos modos de ser, estar e permanecer frente aos temas universalizantes em vistas diametrais fundamentam a anunciação de estarmos sempre um a aconselhar o outro, Ruben, quem voz, anuncia?”
Ruben, comerciante de uma loja de roupas importadas, homem de pouquíssima palavra, depois de sua iniciação passou a se apegar ao exemplo do mestre-maçom Callum e hoje com essa pergunta pode deixar claro seu modo de pensar a irmandade maçônica.
Para Ruben a maçonaria anuncia “a defesa da liberdade dos etéreos ensinamentos sobre a realidade dos demais profanos". Desta junção abaixo da abóbada celeste devemos estar dispostos a edificar a lealdade entre maçons, força motriz a nos guiar nas estradas das descobertas e segredos dos ritos em cada um dos seus trinta e três graus”.
Carlos ao adentrar o saguão, antes de tomar a sua cadeira de magistrado deixa claro, “maçons os são sóis dotados da iminência espiritual universal? A maçonaria é a soma da retidão e da lealdade das nações? O homem em loja deve ser o mesmo fora dela”?
Todas as respostas são óbvias e na profundidade de cada resposta deve estar o sentido de coexistência. Maçons devem coexistir harmonicamente com profanos, sejam eles, religiosos, leigos, homens de posses ou não!
O neófito e Ruben devem aprender, os maçons “não devem em nenhuma maneira embrenhar-se em discussões com aquele cujo mau dizem a Ordem Maçônica, pois, não sendo membros regulares, eles não a desconhecem”.
Callum lustra o malho no avental, olha para Carlos e a Ruben retorna a palavra, irmão como sabe pelo informe interno da pauta da noite, devemos escolher os irmãos o irmão responsável por versar sobre o tema da reunião pública, onde o tabernáculo abre as portas para os convidados, muitos deles, não maçons.
Callum gesticula para Carlos dar continuidade a explicação aos três presentes. Sim, Venerável! Neste dia onde o tabernáculo é aberto ao público, sempre escolhemos um irmão para apresentar as ordenações de seus graus para com as Leis teosóficas maçônicas e cada membro da irmandade terás cinco minutos de fala, junto a temas da convivência da maçonaria com outras ordens da sociedade.
O Venerável Callum me dispôs a comunicar, Ruben falará sobre as propostas da superação e aceitação respeitosa das lojas mistas e nossa Ordem. Insatisfeito com a pura repetição de conversas de almoços comuns entre os homens livres, o Venerável Callum interrompe o Irmão Ruben, mais uma vez. Quem voz anuncia?
O Espadachim Carlos passa a mão no esquadro e na mesa ao centro, indica as escrituras sagradas salientando, não sejas, tão duro com o aprendiz, Callum! Com o tempo ele saberá, “anunciamos os atos coletivos da unidade maçônica de cada um dos postos e homens na sala, xadrez. De cada uma das cadeiras hierárquicas, captamos, o querer de tradicionais vontades e nelas lapidamos as arestas caminhantes da pedra bruta”.
“Vou lhe ser franco, a cerca de seis meses depois de minha passagem de profano para aprendiz, tento apreender a maçonaria como um badalar vivo, num eterno tremular da flamejante luz do caminho justo. As imagens e semelhanças dos irmãos, o liso branco de meu avental, deseja de forma latente galgar a partir do ensino, cada grau de nossa ordem”. Quem não deseja evoluir? Responde Ruben ao Venerável Callum.
Ruben, sentado na cadeira, abre o seu livro de ordem e como o Venerável Callum já o tem como um bom aprendiz, ele “reitera minhas palavras, gestos e força vital, andarão enfileirados no combate de canais de descrenças, medos e mentiras. Não gosto do expediente de pinga-fogo, me explica, Venerável! Como tratar esse tema em meu discurso na sessão pública de nosso Tabernáculo”?
O Venerável Callum abre o livro de citações e mostra a Ruben, cada página deste livro guarda um ensinamento, a vida do maçom. As questões são levadas a ferro e fogo quando temos eleições, a disputa pelo Legislativo de nossa Ordem mostra como nem todos estão prontos para lidar com as informações contidas nestes livros. Aprendiz Ruben a maioria das informações de quem deseja dinamitar a imagem do outro busca, conteúdo nessas páginas.
O Venerável Callum a perceber a inquietude do irmão Carlos, desejoso em falar vai pausando a voz e as suas luvas brancas, ainda não calçadas acenam para ele.
O Espadachim então ressalta, os livros de notas observatórias é a melhor forma de etnografar a Ordem, Ruben, não deixe de preenchê-lo com suas convicções, constatações dos assuntos, dúvidas, sugestões. Já o pinga-fogo, a maçonaria a nós, garante um ornamento de Leis e de Legisladores. A esses homens, devemos dispor quaisquer assuntos, a ferir cada uma de nossos ordenamentos jurídicos e as nossas condutas.
Acredito Carlos, nada melhor o conhecimento via o extremo respeito por aquilo, no qual, a frágil aponta para a pedra bruta a ser lapidada e dela perceber a mudança interna e externa de cada um, cujo ser tinge a folha branca de papel dos cadernos etnográficos. Quem faz perguntas em forma de pinga-fogo, deveria ater-se mais à evolução do que à disputa pelo conjunto das estruturas maçônicas, diz Ruben.
Ruben escolheu falar de pinga-fogo, logo Venerável Callum, vou usar meu tempo para discorrer sobre as Ordens Mistas, as famosas Lojas Maçônicas onde se enfileiram homens e mulheres com os mesmos direitos e participação em Loja. Posso?
O Venerável junta os pés de maneira firme em equitativa e a Carlos pede para explicar aos outros dois aprendizes qual o papel das mulheres na maçonaria. O Espadachim aos presentes, deixa claro, as nossas cunhadas do Tabernáculo estão diuturnamente a se organizar para atuar em ações solidárias junto aos sobrinhos Demolays e a sociedade.
Mesmo o Tabernáculo não ser misto, as Ordens Mistas devem deixar de ser julgadas como Lojas Profanas. A meu ver, estamos aprofundando cada vez mais rumo à participação ativa das mulheres, visto as Potências Maçônicas já se colocarem em favor das Lojas Mistas, quanto a sua existência, bem como o avanço real representado por elas.
O Aprendiz Antônio tem uma característica de observador, não participa ativamente de nenhuma fala desta conversa, antecedendo a abertura dos trabalhos maçônicos. Você irá dissertar sobre o papel do aprendiz em loja e o papel do silêncio na maçonaria, aponta o tema ao iniciado o Venerável Callum.
Pôr hora! Agora a tradição nos impõe o silêncio de espera dos demais irmãos, pois, nos quatro cantos do mundo, os compassos e as réguas giram para a colmeia e em menos de meia-hora todos devem estar em suas Lojas Maçônicas, juntos em corpo aos raios flamejantes, finaliza a troca de ideias, Callum.

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