Período Pré-Industrial Cultural.
Comunicação e Sonho
Eric Costa e Silva
“Doces invenções da Arcádia!
Delicada primavera:
pastoras, sonetos, liras,
- entre as ameaças austeras
de mais impostos e taxas
que uns protelam e outros negam”.
O artigo de Tuffani (2010, in Revista Unesp Ciência) foi importante para nos apresentar uma visão interdisciplinar vista na sala de aula, pois a partir de sua contribuição ele nos deixa livre para iniciarmos um pensamento próprio.
A partir de sua proposta de utilização da filosofia e da história, como ciência e fonte para compreendermos a função do jornalismo e dos seus profissionais que trabalham diretamente com a comunicação de massa.
O artigo trabalha na contextualização histórica e no modo em que a ciência jornalística se inseriu dentro das questões ligadas a religião, pois, o jornalismo pode ser considerado uma fonte legitimadora, na crítica da própria divinização da dúvida e do perigo em colocarmos como verdade, um princípio, diretamente desconexo, aos elementos do jornalismo, ou seja, a verdade Histórica.
No século XIV, a primeira atividade comunicacional frente à representação por meio de uma estratégia conceituada como pré-fase publicitária que vem ousar contra uma instituição que coroava reis é a Reforma Protestante.
Agora você deve estar perguntando, existe alguma relação desse período, pois a estrutura, no corpus da análise, está se referindo a sociedade industrial? Ou mesmo, isso tem algo a ver com os elementos do jornalismo?
A resposta parcial se inicia agora, mas só, pode ser compreendida de forma ligeira na sua totalidade, pois não temos pretensão em sanar o assunto.
A Reforma Protestante nasce após Martin Lutero, ter contato com a obra, “Elogio a Loucura” (1509), de Erasmo de Roterdã, por sua vez, seu conteúdo, sem dúvidas, compõe um dos pilares do Humanismo Evangélico e também com o princípio espiritualista das Religiões de Matriz das Vozes da África.
Assim, faz de muito espaço para esmiuçar, todos os fatores e seus contributivos a humanidade, então nos ateremos apenas, naqueles fundamentados nas ideias que dialogam com o tema do livro, “Os Elementos do Jornalismo”.
Abro um pequeno parêntese, no livro, a referência da escala geográfica é a comunidade, mas não podemos, como mesmo propõe os autores, nos limitarmos, devido à própria contribuição das ciências da comunicação, que nos mostra, a olho nu, a relação existente, entre a nossa rua e as classes flexíveis de Wall Street.
O primeiro contributivo de Roterdã (1509), tem ligação com a tomada de decisão, como algo influenciado pela consciência individual, através do conhecimento da realidade e da vontade do espírito estar magistralmente ligado a compreensão de sua vida comum, ou seja, uma crença na espiritualidade dada no valor nacional.
A obra do século XVI serve para tocar o monge, Lutero, quanto à prática religiosa da época. A Igreja Central preocupava-se com as questões do mundo da política, essa vertente por nós não é renegada totalmente as correlações de erro, pois, Ela, com vistas a sustentar as monarquias, dando a elas o aval divino e de outro lado, atuava na economia, uma vez necessário conter as diásporas em tempos de grandes agravos de saúde.
Porém, nesta nos reservamos, a registrar, a forma mais vil, de trato com a doutrina cristã que também era espiritualista, na época1, cobrava-se para alcançar a graça da vida após a morte, ou mesmo, para remissão dos pecados dos familiares, mas, dentro desta afirmativa, temos a necessidade da mente medieval de extrema ligação as formas e funções religiosas como uma ponderação de respeito máximo, bem como, a guerra entre a evolução da própria ciência, esta por sua vez, era quase totalmente alvo dos investimentos das Igrejas, incluindo aqui, a Igreja Central.
O segundo ponto. Lutero parte para o diálogo com (agora sim) a sua comunidade e dentro dos espaços possíveis fundamenta sua ação, em conjunto com outras individualidades, entre esse, com homens da Universidade e com muitos deles desenvolve laços, com os quais, vão fundar a Igreja Luterana.
Não podemos deixar de lado, o papel de representação da burguesia enquanto classe, ao lado do monge, promove a afirmação do sentido de nacionalidade e a formação das Monarquias Nacionais e dão início a inserir na localidade as Universidades, sim, as Universidades os são criações do período Medieval e conhecimento é ao mesmo tempo, poder e sonho.
Do ponto da produção desse sentido de nacionalidade se especializa a tradução e produção de textos relativos aos cânones religiosos que há tempos, estavam sobre a tutela da Igreja Católica Apostólica e Romana2. Assim, os grupos Protestantes liderados por Lutero, pelos burgueses e por monarcas promovem uma mudança cultural e estrutural histórica.
Essa elaboração somente é válida, caso compreendermos que a Reforma Protestante procurava aproximar a cristandade dos povos Escandinavos, Francos, Ingleses com a palavra divina, antes apenas repassada no idioma oficial Católico, o latim.
Desta maneira os contestadores da ordem estabelecida passaram a disseminar o conhecimento religioso na língua materna dos seus povos, promovendo um diálogo maior entre os leigos e as ordens religiosas.
Essa ação não pode ser considerada como uma parte da estrutura da indústria cultural, mas ela é relevante para alguns questionamentos propostos por Kovach & Rosenstiel (2004), pelo simples fato, devemos ter como objetivo servir ao público, ser honestos e termos responsabilidade com a verdade e a verdade só o é concebida no cotidiano da paisagem com o diálogo na língua materna a receber a anunciação da palavra.
A verdade, nesse período, estava escamoteada, pois aos povos cristãos, não era permitido, o entendimento de uma língua que não é sua, dado o fato, a maioria não tinha acendido ao conhecimento e não podia vivenciá-lo de forma completa no seu cotidiano.
Acima de tudo, a indústria cultural, só pode existir primordialmente, pelo avanço das técnicas, mas a classe burguesa liberal, uma vez está, já “florescia” sua forma de pensamento e também, mesmo que pouco, acumulava alguns capitais.
O capital maior encontra-se na afirmação das identidades individuais, da identidade nacional e da reafirmação emancipatória, como já vimos anteriormente.
A I Revolução Industrial (1780 – 1840), em solo inglês, tinha como produto mais consumido o algodão, o seu papel, quanto a acumulação do capital, para aqui, promover o desenvolvimento de algumas técnicas, todas elas, as são concebidas pelos homens que estavam diretamente trabalhando com as suas respectivas matérias primas.
E a matéria prima dos jornais da época, estavam dentro de uma estrutura de livre concorrência, eram todos eles, exemplares com pequena circulação e abrangência.
Os jornais da época com o advento da invenção da locomotiva (1820) a vapor, ganharam um pouco mais de dinâmica, nada comparado, com o período, da indústria e da cultura da expansão das negociações, mas eles podiam despachar as suas propostas editoriais para o público de outras cidades, aumenta-se assim, relativamente, a abrangência.
Assim no seio da sociedade burguesa desenvolve-se a contradição, o choque de interesses de visões distintas e como percebemos, os jornais, não estão apartados desse fator, pois, a partir desse momento eles são utilizados, tanto para a distribuição da informação dos produtos com vistas, a venda das mercadorias, bem como para propagar ideias.
As ideias e sonhos, que eram vendidos nos portos das cidades estratégicas, por exemplo, a cidade de Veneza, onde, boa parcela da corrente liberal passou, tão somente a defender, os interesses, ditos do mercado e da sua própria riqueza, bem como para proliferar valores liberais radicais, nos quais se consistiam a defesa dos direitos civis, a liberdade religiosa, o fim da escravidão e a multipluralidade de vozes dentro das narrativas Históricas.
Essa multipolaridade pode ser comparada as estações e redes sociais de hoje, onde podemos nos conectar com o mundo do outro, assim como um porto, não menos, interessante é a possibilidade de conectividade e de adendo de uma possibilidade de fazer de sua rede uma extenção de suas preocupações, desta forma, a preocupação da maioria é sentida pelas redes de análise de conteúdo.
Sonhar, um advento, não tido como próprio de cobrança de qualquer tipo de valor monetário, ainda é uma crença de muitos. Sonhar, ideia central a mitigar as formas de engajar para assim realocar o foco do objeto-sonho.
Eis então o problema, a busca de qualquer meio para atingir o valor de sonho, pode de certa maneira, desinteressar o conceito de pertencimento das identidades, incluindo a própria identidade Nacional.
Sejamos sinceros, sonhar é a vida em movimento e o movimento da vida real é norteada pelo valor dos sorrisos e lágrimas, presentes em nossa caminhada.

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